Este livro descreve, reconstitui e analisa a batalha naval travada há mais de dois séculos no mar do Algarve entre uma esquadra francesa vinda de Toulon, Mediterrâneo, e uma esquadra britânica saída de Gibraltar.
Tudo se passou em Agosto de 1759, cinco anos após o terramoto que destruiu Lisboa e que afectou a maioria das fortalezas do Barlavento algarvio. Iniciada no alto mar, ao sul do Cabo de Santa Maria, a batalha dita de Lagos acabou entre Sagres e a Salema. O final da batalha junto às praias e falésias constituiu uma arrogante e brutal violação da neutralidade portuguesa, facto que levou o Marquês de Pombal a liderar uma outra batalha, desta vez diplomática. Dois séculos e meio depois dos combates, dos protestos e dos resgates submarinos em apneia, o texto propõe ao leitor uma outra maneira de visitar esta página do Barlavento algarvio de hoje.
O livro está, por isso, dividido em cinco partes distintas. Cada parte pode ser lida separadamente, podendo o leitor mais curioso recorrer às notas que acompanham todo o texto.
A primeira parte descreve os preparativos e o prelúdio da batalha, destacando a narrativa, ingénua e brilhante, de um jovem escravo africano descrevendo os jorros de fogo e de sangue dos adultos em combate. Esta primeira parte termina com o calvário dos vencidos.
A segunda parte explora a geometria do fogo após o fim dos combates, e reconstitui o destino dos destroços dos navios. Dos salvamentos submarinos do século XVIII, passa-se às recuperações com escafandro autónomo no final dos anos 1960, chegando, por fim, aos museólogos e à arqueologia da actualidade. O turismo subaquático surge em último lugar e culmina, em 2010, de maneira tão radical como inesperada, com a prospecção geofísica em torno dos vestígios do L'Océan, o navio almirante da esquadra de Toulon.
Com o tom de um inquérito policial, a terceira parte delineia o percurso de prospecção e de localização do Redoutable, o vice-almirante francês, tão real como invisível.
Muito mais do que um anexo, a quarta e a quinta partes são guias. Transmitem ao leitor, mergulhador ou não, o modo de visitar in loco a paisagem, as sombras e os vestígios dos eventos descritos nas três primeiras partes.
Autores do Livro: Jean-Yves e Maria Luisa Blot